38 – Sua mais memorável experiência no banco de trás de um carro

 

Esse é mais um texto do desafio “642 coisas para escrever sobre” e eu expliquei sobre como eu comecei no primeiro post (leia aqui). Espero que vocês gostem do texto.

E então eu estava chorando.

Aquele choro calado, sufocado, mas ainda assim com lágrimas que escorriam depressa pelo rosto. Reparei que estava segurando apertado o volante. A estrada estava vazia e as árvores estavam com as folhas secas. A última vez que havia passado por aqui, estava seguindo o caminho oposto reparando em árvores bonitas e cheias de flores. Com um sorriso no rosto e a promessa de um futuro.

Penso nas ligações que teria que fazer para cancelar o grande dia e no que dizer para amigos e familiares. Eles que estavam presentes no dia do pedido, há sete meses, quando ele estava ajoelhado em minha frente com uma caixinha na mão. Lembro de como empacotamos tudo e nos mudamos de cidade esperançosos, há três meses. No caminho, ouvíamos nossa banda favorita e conversávamos sobre como seria nossa sala, cozinha, quarto. Um casal de amigos nos levava no carro deles porque teríamos uma recepção surpresa de boas-vindas. Reparávamos na estrada pela janela sem nunca olhar para trás. Seu braço estava em meu ombro e minha mão em seu joelho. Ele falava bobeira para me fazer rir e então assistia meu sorriso. Quando terminávamos um assunto, segurava minha mão e beijava meu anel antes de começarmos a falar sobre outra coisa. Naquele carro, éramos quatro apaixonados.

Olho para minha mão, ainda agarrando o volante, e não há nada nela. Até o esmalte de sempre, azul escuro, não estava lá. Também não havia mais aliança. Dela, só sobraram as lágrimas, uma mala de roupas, uma caixa no porta-malas e a dor de um para sempre que acabou. Eu estava sozinha, no banco da frente, e respiro fundo.

Hoje, as árvores estavam secas, o dia estava frio e eu estava triste. O oposto de tudo que eu havia sentido na última vez que havia passado por essa estrada, a caminho da minha nova casa, da nossa casa. A companhia daquele dia, hoje ficou lá enquanto eu faço o caminho de volta. Ficou lá com um quarto bagunçado, alguns copos quebrados e duas alianças. Também ficou com uma mulher.

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