Texto 2 | Chuva

Esse texto é o segundo da história do Henrique e da Priscila, casal que eu apresentei para vocês num outro texto, o primeiro (leia aqui). Agora, eles já se conhecem, mas não se tornaram amigos ou conversam frequentemente. mas o episódio a seguir acontece, deixando Pri sem entender o que está acontecendo.

 

     Haviam folhas espalhadas pela minha carteira e pelas dos meus amigos, mas todas minhas. Estava tentando organizar todo o material e havia feito uma leve bagunça organizada, como já faço naturalmente. Peguei cada uma das pilhas e coloquei no lugar certo na minha pasta enquanto conversava com uma amiga sobre o livro que havíamos lido. Ela concordava com a decisão tomada pelos personagens, eu achava que deveria ter sido mais discutido, mas nós duas gostaríamos que o epílogo tivesse sido melhor. Quando tudo já havia sido organizado, a discussão por ora estava encerrada e era hora de voltar aos exercícios, fui beber água.

     Foi muito confuso como tudo aconteceu. Eu terminei de beber água e me virei para o corredor para voltar para a sala, mas não pude. Seu braço estava na minha barriga e sua mão na minha cintura.

     – Vamos descer, preciso ir no laboratório. – você dizia e me puxava.

     Lembro de termos discutido um pouco isso, como o fato que eu precisava voltar pra fazer meu trabalho (pode fazer daqui a pouco) e de onde você tinha surgido (te vi aqui e quis que me fizesse companhia). Acabei concordando e descemos.

     Chovia. Chovia muito mesmo lá fora. Eu estava de jaqueta, você não. Nenhum de nós tínhamos guarda-chuva. Eu desisti. Argumentei que pegaríamos um resfriado, ficaríamos encharcados e que do jeito que eu sou, era bem provável que eu ainda escorregaria. Você? Acho que nem estava me ouvindo. Aproveitou que um colega do time passava por ali e pediu o casaco dele emprestado.

     – Pronto, vamos!

     E foi isso. Enfrentamos a chuva, eu com as mãos no bolso, olhando para o chão e colando os braços com força no corpo, até chegarmos ao laboratório, encharcados. Eu fiquei olhando a chuva lá fora enquanto você resolvia o que tinha que ver e foi rápido.

     – Ei, vem cá, assim você se molha menos – disse você, tirando o casaco e o esticando acima das nossas cabeças, se aproximando.

     – Já estamos encharcados. Tá com medo da chuva agora? – respondi e corri pra fora – Vamos logo, eu tô me molhando aqui!

     Você deu um sorriso de lado, que eu não sei como você consegue. Parece que usa apenas metade da boca. Colocou o casaco de volta num movimento rápido e correu em minha direção, agora com um sorriso inteiro.

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